Avanço do dinheiro virtual

Marcos Cintra

Operadoras de celular e bancos serão os protagonistas de mais um avanço da moeda eletrônica. Em um futuro breve, o consumidor poderá liquidar suas operações comerciais utilizando seu aparelho de telefonia móvel. O mobile payment será um importante passo para a evolução dos meios de pagamentos.

A tecnologia está revolucionando os meios de pagamento ao redor do mundo. Aos poucos, a moeda eletrônica substitui a moeda manual e o Brasil é destaque nesse processo. A proporção do papel moeda na economia brasileira em relação ao PIB, cerca de 3%, é uma das mais baixas do mundo. Está no mesmo patamar de países como França, Alemanha e Holanda.

As economias estão migrando dos meios de pagamentos realizados com papel moeda, e até mesmo com cheques, para formas eletrônicas de liquidação de operações. Isso se deve ao custo das transações. Utilizar meio eletrônico custa o equivalente a um terço de uma operação utilizando papel.

Dados do Banco Central do Brasil dão uma ideia da utilização crescente da moeda eletrônica nas economias. No relatório Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo do Brasil – Adendo 2010, consta que entre 2005 e 2009 países como Bélgica, Alemanha, Espanha e Estados Unidos reduziram, em média, em mais de 50% a participação dos cheques nas transações sem uso de dinheiro manual. Na Suécia a redução foi de 100% e no Brasil de 49%. As formas de pagamento no varejo que mais cresceram foram os cartões de débito e de crédito. Os destaques desse aumento no período analisado foram: Brasil (37%), Suécia (88%), Estados Unidos (59%) e Itália (46%).

A necessidade de reduzir custos de transação para os agentes produtivos e minimizar os riscos dos sistemas de pagamentos colocaram o Brasil na vanguarda do processo de adoção do dinheiro virtual. Isso ocorreu em função dos vultosos investimentos que modernizaram sua estrutura bancária. O advento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) em 2002 fez o País contar com uma das estruturas de transferências de crédito mais eficientes do mundo através da utilização das TEDs (Transferências Eletrônicas Disponíveis) e DOCs (Documentos de Créditos).

O dinheiro eletrônico implica em custos menores das transações e isso, em última análise, determina grande parte da estrutura de uma economia. Quanto mais os custos forem reduzidos pelas novas formas de dinheiro as trocas serão dramaticamente atomizadas.

Vale dizer que a economia brasileira conta com uma base crescente de instrumentos de pagamento eletrônico através de cartões de plástico. No final de 2010 o País registrava mais de 226 milhões de cartões de débito (crescimento de 80% em sete anos) e mais de 175 milhões de cartões de crédito (aumento de 298% em sete anos).

Toda essa estrutura de pagamento via cartão de plástico foi viabilizada com a expansão dos terminais eletrônicos no comércio e da rede bancária. Tudo isso difunde a moeda eletrônica, que agora está prestes a dar um novo salto por conta da popularização da telefonia celular. Esse avanço do dinheiro virtual trará maior eficiência para o sistema de pagamentos e terá impacto profundo na atividade produtiva.

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

E-mail: mcintra@marcoscintra.org

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