Administrar dados tem custo trilionário para companhias

Por Cibelle Bouças | VALOR ECONÔMICO

A rápida expansão do volume de dados transmitidos e acumulados pelas companhias transformou a gestão da informação em um custo expressivo. Um estudo encomendado pela companhia americana Symantec, cujos resultados foram antecipados ao Valor, revela que, em 2011, as companhias em todo o mundo gastaram US$ 1,045 trilhão com a gestão de dados – praticamente a metade do PIB brasileiro.

Esse montante inclui todas as despesas envolvidas no tratamento de dados digitais, como armazenamento, segurança e infraestrutura para tráfego de dados. De acordo com o estudo, o maior gasto das companhias é com mecanismos de segurança para evitar o vazamento de dados. Ao todo, as empresas gastaram US$ 324 bilhões com segurança da informação. Em segundo lugar estão os gastos com armazenamento, que totalizam US$ 309 bilhões.

A pesquisa, conduzida pela consultoria ReRez Research, baseou-se em entrevistas com executivos de 4,5 mil companhias de diferentes portes, distribuídas em 36 países. No Brasil, foram feitas 150 entrevistas. A partir dos dados coletados, a consultoria fez a estimativa para o total de empresas no mundo. A confiabilidade da amostra é de 95%, com margem de erro de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Esse é o primeiro estudo do tipo encomendado pela Symantec, razão pela qual não há comparativo com os gastos das companhias em anos anteriores. O estudo indica que o tráfego de dados pelas companhias no mundo vai quadruplicar entre 2011 e 2016. No Brasil o volume aumentará oito vezes no mesmo período. Esses são indícios de que os gastos das companhias com a gestão de informação tende a aumentar consideravelmente nos próximos anos.

“Os gastos com gestão da informação são altos porque as companhias entendem que essa é uma parte fundamental do seu negócio”, afirmou Luiz Faro, gerente comercial da Symantec para o Brasil. Os entrevistados disseram que as informações empresariais valem o equivalente a 50% do valor de mercado das companhias. E o vazamento ou perda dessas informações têm consequências imediatas. Para 55% dos entrevistados, a perda de dados provocaria a perda de clientes; os executivos também previram danos à marca (40% dos entrevistados), queda na receita (40%) e multas (32%).

Não por acaso, as companhias com maior volume de gastos são as que possuem os maiores volumes de clientes e dados: operadoras de telefonia e bancos. Juntas, as empresas desses setores respondem por 50% do total de dados armazenados pelo meio empresarial.

Se fossem impressos, dados formariam pilhas de papel equivalentes a 1.287 prédios com a altura do Empire State

Na média, as companhias de grande porte têm um gasto anual de US$ 38 milhões para gerir dados. Já as empresas médias apresentam um gasto anual médio de US$ 332 mil. O gasto médio por funcionário, no entanto, é menor nas companhias de grande porte – US$ 3.297 por ano, ante um custo médio de US$ 3.670 por empregado nas pequenas e médias. Faro disse que a diferença está relacionada à aquisição de equipamentos e serviços em larga escala nas companhias de grande porte, o que lhes permite negociar melhores condições de preço.

A tendência para os próximos anos é que os gastos aumentem com o crescimento vertiginoso no volume de dados administrados pelas companhias. Em média, uma empresa de grande porte possui 100 mil terabytes de dados, o equivalente a 100 milhões de gigabytes. Para se ter uma ideia, um notebook simples possui 2 gigabytes de memória. De acordo com o estudo, essas companhias preveem para este ano um aumento de 67% no volume de dados acumulados.

Já as companhias de pequeno e médio portes possuem um volume bem inferior de dados. Cada uma delas reúne, em média, 563 terabytes de dados. A expectativa é que essas companhias registrem neste ano um aumento de 178% no volume de dados administrados.

Ao todo, as companhias no mundo possuem 2,2 zettabytes de informações no formato digital. Isso equivale a 2,2 bilhões de gigabytes. Se todos esses dados fossem impressos em folhas de papel, seria possível formar pilhas equivalentes a 1.287 edifícios com a altura do Empire State – ou uma pilha de 602 quilômetros de altura.

Quase todo o volume de dados está armazenado em servidores, computadores, celulares e outros dispositivos da própria companhia. De acordo com o estudo, mais de 90% das empresas contratam algum serviço relacionado à armazenagem de dados em servidores remotos, com acesso por internet (na chamada nuvem computacional). O volume, no entanto, é baixo. A maioria das companhias, diz Faro, armazena menos de 10 terabytes de dados em servidores remotos. “A adoção de serviços na nuvem tende a crescer, mas ainda apresenta um volume baixo em relação ao total”, disse Faro.

Dupla armazenagem de informações provoca despesas desnecessárias

As companhias de todo o mundo gastaram US$ 1 trilhão com a gestão da informação em 2011 e esse montante foi mal gasto, segundo avaliação de Luiz Faro, gerente comercial da Symantec. “As empresas fizeram despesas desnecessárias e isso não impediu que houvesse perda de dados”, afirmou o executivo. O estudo encomendado pela empresa mostrou que 45% das informações que as companhias possuem estão armazenadas de forma duplicada.

As despesas das companhias com armazenamento de dados totalizaram US$ 309 bilhões no ano passado. Faro disse que uma parcela pequena das informações produzidas pelas companhias precisa ser armazenada em mais de um servidor e por um longo período de tempo.

Além do armazenamento duplicado, as empresas também contratam o uso de servidores em centros de dados sem necessidade. Em média, as companhias entrevistadas usavam 32% da capacidade de armazenagem interna e 20% da contratada de centros de dados terceirizados. “Existe a preocupações em garantir nos centros de dados uma folga para armazenar novos dados, mas uma folga tão grande, de mais de 70%, gera ineficiência”, disse o executivo.

Apesar dos gastos extras, 80% das companhias no mundo informaram ter sofrido perda de dados em 2011. Na América Latina, 71% das companhias tiveram perdas de dados. As causas são as mais variadas e incluem erro humano, falha em equipamentos ou em softwares, invasão da rede de computadores por cibercriminosos e extravio ou roubo de dispositivos móveis. (CB)

 

Fonte: Valor Econômico via Fenacon

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